Você não precisa de um fotógrafo para guardar suas memórias.
Ousado? Talvez. Mas fica aqui minha percepção:
Muito se falou sobre o celular competir com a fotografia. E outro dia, pensando nas fotos que fazemos de forma caseira, com o celular mesmo, me peguei refletindo. As mães me mostram registros espontâneos de uma brincadeira. Os pais, uma façanha do filho. Casais compartilham fotos do primeiro encontro, de uma viagem marcante.
Essas imagens têm valor. São memórias reais. E são importantes.
Então, qual a diferença de uma foto feita por um fotógrafo? Bom, primeiramente, nunca acreditei nesse disparate de competição.
Não porque penso que a fotografia “vence” o celular — até acredito que os celulares, tecnicamente, vão sim rivalizar com câmeras. Mas o ponto não é esse.
O ponto é: por que fazemos fotos?
Essas imagens amadoras são preciosas. São fragmentos do tempo, e são, sim, memórias — tanto quanto aquelas que entrego como fotógrafa. A diferença está aqui: na experiência.
Na liberdade de não se preocupar com ângulos, luz ou poses.
Na chance de simplesmente viver o momento.
E sobretudo, a identificação com a ARTE.
A escolha consciente de quem vai te ver e traduzir o que vê com sensibilidade, por isso a identificação com quem está fazendo esse registro, sua visão sobre a vida, é imprescindível, a beleza reconhecida. Escolher uma fotografia para determinado momento da vida, não se trata somente da memória.
Estamos falando de viver uma experiência, de ter em casa, registros sensíveis da sua família, do seu momento, algo totalmente seu, arte em forma de imagem.
Feita e sobre você.
Do jeito que você acredita, sente, ama e vê beleza.
Muitos acham saudosismo da minha parte intitular minha profissão de arte, sendo prestadora de serviço, mas eu sempre vi dessa maneira. Sempre acreditei em criar algo que represente, que toque, que fique.
E é por isso que, mesmo que o instrumento mude — seja câmera, celular ou uma Polaroid — o valor sempre estará no olhar.
